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Release pós-evento da visita ao polo petroquímico de cubatão-sp (25/04/2024)

Frente Parlamentar da Química visita unidades industriais em Cubatão (SP) e identifica gargalos e desafios que ameaçam setor

Depois de Triunfo e Cubatão, parlamentares planejam visita a Camaçari (BA)

 

            A Frente Parlamentar da Química do Congresso Nacional realizou, nesta quinta-feira (25/4) a segunda de uma série de visitas técnicas aos principais polos químicos e petroquímicos do País. Desta vez, o grupo, liderado pelos parlamentares que formam a FPQuímica, esteve em três das indústrias mais importantes do polo de Cubatão, em São Paulo. A anterior, realizada em agosto do ano passado, ocorreu em Triunfo (RS).

 

A comitiva foi liderada pelo presidente da Frente Parlamentar da Química, o deputado federal Afonso Motta (PDT-RS), que esteve acompanhado pelo deputado federal Flávio Nogueira (PT-PI), além de representantes da Frente Parlamentar em Defesa das Indústrias Química e Farmacêutica na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, entre eles o presidente, Luiz Fernando Ferreira (PT), e o deputado Rômulo Fernandes (PT). Pelo IdQ, além do diretor presidente Paulo Engler (ABIPLA), outros representantes de entidades associadas acompanharam a visita, como Milton Rego (ABICLOR), Marcelo Pimentel (ABIQUIM), entre outros.

 

O Sistema CFQ/CRQs, que apoia a FPQuímica e o IdQ, participou da visita a Cubatão, representado pelo coordenador do Comitê de Relações Institucionais e Governamentais (CRIG), Gilson Mascarenhas, também presidente do Conselho Regional de Química da 14ª Região (CRQ XIV - Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima); pelo integrante do CRIG e presidente do CRQ XXI - Espírito Santo, Alexandre Vaz Castro; e pelo vice-presidente do CRQ IV - São Paulo, Nelson Bonetto. 

 

Industriais levaram ao grupo inquietação com desafios à competitividade

 

A proposta da visita técnica é conversar com o setor industrial e colher mais de perto as impressões de quem convive no dia a dia com as dificuldades de produzir no país.

 

A visita começou pela unidade fabril da empresa Yara, que produz, entre outros artigos, fertilizantes agrícolas. Na abertura dos trabalhos, o deputado Afonso Motta destacou que o momento desafiador pelo qual passa o país exige que se concilie “capital e trabalho”, saudando a presença de líderes sindicais no evento. Ele salientou o empenho do IdQ e suas entidades coligadas, além do Sistema CFQ/CRQs em se associar aos trabalhos da Frente Parlamentar.

 

“A Química é a essência de um conjunto de atividades, está em toda parte, e nós temos tido um grande apoio, uma grande parceria com o IdQ e Conselho Federal de Química. Essas oportunidades de nós estarmos aqui, virmos a campo, por assim dizer, é uma oportunidade de geração de massa crítica. Uma crítica enriquecida pela confluência, o encontro de todos os níveis da federação, são parlamentares municipais, estaduais, federais que aqui estão debatendo, é um aprendizado”.

 

E ele complementa:
 

“Estamos aprendendo muito com a apresentação dos executivos, passando por empresas importantes, sempre claro com a rapidez que exige atividade parlamentar, mas também com muito significado”, afirmou Motta, que adiantou o desejo de realizar ainda duas visitas técnicas – uma em Camaçari (BA), possivelmente em agosto, e mais uma outra, ao Estado do Rio de Janeiro, ainda sem data prevista.

 

Depois da Yara, a comitiva se dirigiu ao parque fabril da Braskem em Cubatão, onde os parlamentares conheceram um pouco da realidade da fabricação de polímeros e a representatividade da empresa na cadeia da indústria química paulista. Ao final, o grupo fez uma visita à Unipar, que está instalada na região há 60 anos e hoje possui unidades no Brasil e na Argentina. Rodrigo Cannaval, CEO da Unipar, recebeu os parlamentares pessoalmente e apresentou em detalhes o funcionamento da empresa. Ele destacou as dificuldades competitivas do segmento e pediu que os parlamentares se empenhem por gerar as condições para que a indústria mantenha sua produtividade e os empregos.

 

“Precisamos que o Congresso e o governo produzam as políticas públicas corretas, como a simplificação tributária. Seria importante que a carga tributária fosse reduzida, e que as medidas se dessem com mais celeridade”, afirmou Cannaval.

 

Para o vice-presidente da Yara, Daniel Hubner, é muito válido que os parlamentares venham conhecer o trabalho desenvolvido no setor industrial e que o país possa trabalhar a competitividade da indústria química nacional, por meio, por exemplo, do maior abastecimento e redução do preço do gás natural.

 

“A indústria química vem sofrendo muito com a competitividade do produto importado. Isso especialmente a indústria de fertilizante, mas a química de modo geral também. Então, é importante que a Frente Parlamentar da Química venha aqui a campo, venha conhecer as instalações, pois a gente tem espaço para debater e tentar construir soluções conjuntas, porque o potencial do Brasil é gigantesco”, apontou o industrial.

 

Representantes sindicais apontam sintonia com Frente

Entre os sindicalistas, foi possível observar que o engajamento com a Frente Parlamentar, especialmente, em São Paulo, vem sendo construído ao longo do tempo – o que amplia a pluralidade de vozes no debate em torno da Química.

 

“É um movimento que vem numa construção de, praticamente, três anos e agora com ênfase, principalmente, com a troca do governo e das eleições, porque houve uma um impacto muito negativo no passado recente contra a indústria química”, afirma Airton Cano, coordenador político da Federação Química do Estado de São Paulo, órgão ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), ao se referir da proposta do governo anterior em terminar com o Regime Especial da Indústria Química (REIQ).

 

Para Paulo Engler, presidente-executivo do Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química (IdQ), o trabalho iniciado há pouco tempo já deixa sua marca na efetividade das iniciativas da Frente Parlamentar.

 

“É muito grande e perceptível a atuação do IdQ. O projeto de lei do inventário de substâncias químicas, ganhou maior força a partir da fundação do IDQ, o que é uma demonstração inequívoca de que há um amadurecimento e uma dedicação maior da indústria química nos seus assuntos institucionais”, pontuou.

 

O autor do projeto, o deputado piauiense Flávio Nogueira, também exaltou a iniciativa, que tramita no Senado e avança nas comissões requeridas para sua promulgação ao final do processo.

 

“Eu acho que já está bem próximo de terminarmos (a tramitação). Com esse processo, com o projeto de lei 6.120/2019, que vai fazer, portanto, o inventário nacional das substâncias químicas. Por que isso? Fazer com que todas as substâncias químicas, tanto exportadas, como importadas, possam ser, portanto, passadas, identificadas, autenticadas por uma agência reguladora, cada qual na sua especificidade”, revelou o parlamentar.

 

O coordenador da Frente Parlamentar da Química de São Paulo apoia a agenda de Cubatão e afirmou que há afinidade de agendas entre os grupos que atuam na Assembleia Legislativa paulista e em Brasília.

 

“Tenho tido um diálogo muito próximo com a Frente Parlamentar do Congresso Nacional. Junto ao deputado Afonso Motta, junto ao deputado Kiko Celeguim, que é o vice-presidente dessa Frente, nós temos debatido vários temas em defesa da indústria química. E essa interação é extremamente importante. A Frente nos convidou para visitar os diversos polos do Brasil. Fomos ao Rio Grande do Sul, agora é São Paulo e o próximo, previsto em agosto, em Camaçari, na Bahia. Estamos ouvindo ouvir os anseios dessa indústria, ouvir, efetivamente, o empresariado para entendermos de fato qual é a briga que cada um de nós temos que travar, seja na Câmara Federal, seja junto ao governo federal, nas questões legislativas”, disse o deputado estadual Luiz Fernando Ferreira.

 

IdQ e Sistema CFQ/CRQs salientam importância das atividades da Frente

 

            Para o Presidente Executivo do IdQ, Paulo Engler, que representou a Presidente do Conselho do Instituto, Juliana Marra, “a visita às empresas do polo são fundamentais para que os parlamentares envolvidos tenham interlocução com os empresários, trabalhadores e comunidades locais, para que vivenciem a realidade do setor e vejam a importância de seus pleitos junto ao governo.”

 

Para o CRIG, a visita a Cubatão reforçou o entendimento de que as agendas caminham no sentido correto. Para Mascarenhas, o volume de empregos gerados fortalece a convicção de que a indústria precisa um olhar apurado de parte do Sistema CFQ/CRQs.

 

“Nós visitamos três indústrias aqui do polo de Cubatão. E em uma delas, na Unipar, em conversas, a gente detectou que temos 900 profissionais da Química trabalhando aqui. Então, sempre convergem as ações da Frente Parlamentar da Química com os objetivos do Conselho. À medida que a indústria química evolui, logicamente, abre espaço para a mão de obra profissional da Química. Isso é muito satisfatório”, afirmou.

 

Vaz Castro, por sua vez, enfocou na capacidade de construir soluções para a crise enfrentada pela indústria química a partir das decisões políticas das autoridades.

 

“Muita coisa passa pela Casa Legislativa, pela aprovação de leis, aprovação de incentivos e é importante, não só nós estarmos acompanhando esse momento, como também estarmos interagindo com quem faz as leis e que estão neste momento aqui em Cubatão, nesta visita. Então, precisamos e cada vez mais devemos ocupar esse espaço e levar a posição, a manifestação dos profissionais da Química no Brasil”, disse.

 

Bonetto, por sua vez, considera que o CRQ de São Paulo se faz presente junto à indústria do Estado e que isso é muito importante para que o profissional tenha seu olhar sobre os problemas considerado.

 

“Participei dessa visita em representação ao presidente Hans Viertler, e vejo como muito importante a nossa presença, para conhecermos com mais propriedade a realidade da indústria química no Estado de São Paulo, em sua pujança, mas também nas suas dificuldades”, concluiu.

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